Curso de Nutrição do Unifeso analisa riscos e vantagens das canetas emagrecedoras
Em 29/04/2026 às 13h33
Atualmente, um dos temas de maior relevância no debate sobre saúde nutricional no Brasil gira em torno das chamadas canetas emagrecedoras como opção para o manejo da obesidade. Comprometido em oferecer um conteúdo acadêmico atualizado, o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) aborda, no curso de Nutrição, toda a cautela que os futuros especialistas devem ter ao lidar com essa temática.
Dados de um levantamento conduzido pelo Instituto Locomotiva, entre os dias 3 e 9 de fevereiro de 2026, revelam que 65% dos brasileiros declaram conhecer alguém que utilizou ou ainda faz uso desses medicamentos injetáveis, indicados originalmente para o controle da diabetes e da obesidade.
O estudo consultou 1.004 indivíduos em todo o território nacional, estratificados por gênero, região, renda e idade. A amostragem ponderada apontou ainda que, em um terço dos lares brasileiros (33%), há pelo menos um morador que recorreu a essas substâncias.
Contudo, a utilização sem critérios pode acarretar sérios perigos à saúde pública. A pesquisa demonstrou que 4 em cada 10 usuários adquiriram o produto sem prescrição médica, seja por meios digitais ou no exterior. Isso evidencia que uma parcela significativa de pacientes ignora as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exige receita para a comercialização desses fármacos no país.
O recente anúncio da quebra de patente da semaglutida, molécula presente no Ozempic e no Wegovy, sinaliza uma oferta ainda maior desses remédios no mercado interno. De acordo com 76% dos entrevistados, esses fármacos estão ficando mais acessíveis, sendo que 68% admitem que a queda nos valores e a facilidade na aquisição poderiam incentivar o uso das canetas emagrecedoras.
A disseminação do uso desses medicamentos no Brasil ocorre em um cenário de alerta quanto à elevação dos índices de obesidade na população.
Segundo informações do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (SNVS), vinculado ao Ministério da Saúde (MS), a obesidade avançou 118% nas últimas duas décadas. Especialistas atribuem esse crescimento a alterações nos modos de vida, como a substituição de hábitos alimentares, o aumento da ingestão de produtos ultraprocessados e o sedentarismo.
Entrevista com professora de Nutrição do Unifeso
Com o intuito de esclarecer a importância da cautela no uso dessas canetas para tratar a obesidade e os riscos inerentes à automedicação, o Feso News ouviu a professora Juliana Omena, docente da disciplina de Nutrição Clínica. Ela explicou como a graduação está se preparando para este novo contexto.
FN: De que forma o uso desordenado das canetas emagrecedoras pode comprometer a saúde de quem consome o remédio sem supervisão?
JO: O emprego indiscriminado de canetas como a liraglutida e a semaglutida oferece riscos graves, especialmente sem acompanhamento especializado. Essas substâncias inibem o apetite drasticamente e, em indivíduos sem necessidade clínica, podem causar subnutrição, perda de massa magra e deficiências vitamínicas. Ou seja, emagrece-se, porém não necessariamente com saúde. Outro fator crítico é o efeito rebote: após suspender o uso, o apetite volta com força, facilitando o reganho de peso.
FN: E com o acompanhamento médico adequado, como elas se tornam aliadas no tratamento da obesidade? Falo sobre os benefícios e a importância de associá-las a uma nutrição consciente.
JO: Quando prescritas corretamente e monitoradas, essas medicações representam um progresso importante no combate à obesidade. Elas elevam a saciedade e auxiliam na regulação do consumo alimentar, promovendo uma perda de peso mais duradoura. Os benefícios ultrapassam o emagrecimento, ajudando também no controle glicêmico e na mitigação de riscos cardiovasculares. Entretanto, é fundamental ressaltar que o fármaco não atua sozinho; ele é uma peça de um tratamento multidisciplinar que exige dieta equilibrada, acompanhamento nutricional personalizado e, sempre que possível, exercícios físicos.
FN: Diante disso, como o curso de Nutrição aborda esse desafio com os alunos? Como vocês trabalham as melhores práticas para assegurar o bem-estar da população?
JO: No curso de Nutrição do Unifeso, tratamos o tema com foco na prática clínica e na realidade atual. Debatemos com os estudantes não apenas o funcionamento dessas drogas, mas também apresentamos evidências científicas sobre seus riscos e benefícios. Nossa meta é formar profissionais com senso crítico, para que não considerem as canetas como uma solução milagrosa isolada, mas sim como uma ferramenta inserida em um planejamento terapêutico completo.
Por: Raphael Branco
Fonte: UniFeso
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