Iniciativa do Unifeso voltada à equidade na saúde ganha destaque junto ao Ministério da Saúde
Em 14/08/2026 às 12h02
A docente Viviane Espírito Santo dos Santos, que leciona nos cursos de Psicologia e Pedagogia do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), viu um projeto por ela conduzido no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde Equidade) ser eleito pelo Ministério da Saúde como uma iniciativa de relevância no Rio de Janeiro. A proposta, chamada "Tecnologia à serviço da interseccionalidade: criação de aplicativo educativo para trabalhadores da saúde e usuários", foi executada entre 2024 e janeiro de 2026, baseada em um estudo de campo conduzido com servidores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Teresópolis.
O estudo buscou analisar como a discriminação interseccional afeta o bem-estar dos profissionais da RAPS, levando em conta critérios como deficiência, classe social, gênero e raça. O grupo empregou o Intersectional Discrimination Index (InDI), ferramenta que possibilitou mapear episódios de preconceito e suas consequências, tais como ansiedade, estresse, sofrimento psíquico e esgotamento. Ao analisar os dados, os pesquisadores notaram a dificuldade dos colaboradores em identificar episódios de sexismo, racismo, LGBTfobia, capacitismo e outros tipos de violência que acabaram sendo naturalizados no ambiente de trabalho. Em resposta a esse desafio, foi desenvolvido um aplicativo educativo digital, dividido em seções temáticas, destinado tanto ao treinamento de funcionários quanto ao esclarecimento de usuários dos serviços.
O PET-Saúde Equidade congrega conteúdos sobre temas variados, incluindo:
- Racismo
- Sexismo
- LGBTfobia
- Capacitismo
- Xenofobia
- Vulnerabilidades socioeconômicas
- Corporeidades e subjetividades diversas
- Interseccionalidade
Os assuntos são abordados de maneira didática, com o apoio de vídeos feitos pelos acadêmicos, textos e variados recursos multimodais, facilitando o aprendizado. "A ideia era elaborar um conteúdo que permanecesse útil para a rede de saúde mesmo após a conclusão do projeto", aponta Viviane.
Trabalho reúne estudantes de diferentes cursos
A iniciativa agregou universitários de diversos cursos do Unifeso, consolidando o caráter interdisciplinar da proposta. Participaram do time: Carolina Aguiar (Psicologia), Ricardo Zimmermann (Direito), Gabriela Salvador (Medicina), Géssica Condack (Enfermagem), Eduardo Guimarães (Direito), Leonardo Mantuano (Psicologia), Edenilson Miranda (Medicina) e Manuela Cavalcanti da Silva Freitas (Enfermagem).
Essa vivência permitiu aos alunos engajarem-se em múltiplas fases do projeto, desde a investigação e tabulação de dados até o desenvolvimento do material educativo. Conforme o relatório do projeto, a ação fortaleceu o papel de destaque dos estudantes e incentivou a conexão entre comunidade, serviço, pesquisa e ensino.
Reconhecimento nacional
Ao encerrar o PET-Saúde, as produções foram enviadas ao Ministério da Saúde para uma exposição de experiências bem-sucedidas. O projeto liderado por Viviane foi escolhido para ser a vitrine do estado do Rio de Janeiro.
Durante o mês de maio, a docente esteve em Brasília para expor o estudo, que também foi apresentado via pôster. O grupo foi contemplado com um certificado de menção honrosa pela dedicação. "Foi uma construção coletiva, envolvendo os discentes e os profissionais da RAPS. Ter a oportunidade de representar o Unifeso e o estado fluminense em um âmbito nacional gerou um grande orgulho", enfatiza Viviane.
O app nasce como um desdobramento prático da pesquisa local e atua como um dos meios pelos quais a equipe buscou converter evidências científicas em um instrumento de educação continuada na área da saúde. O intuito é democratizar o acesso a informações sobre equidade e fomentar abordagens mais igualitárias nas unidades de saúde.
Conheça o aplicativo. https://petsaudeequidade.base44.app/Home
Por Giovana Campos
Fonte: UniFeso
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